O Julho Amarelo é um período de conscientização sobre as hepatites virais e outras doenças que afetam o fígado. A data também é uma oportunidade para falar sobre uma condição cada vez mais relacionada à obesidade e às alterações metabólicas: o acúmulo de gordura no fígado.
A chamada MASLD, sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, está relacionada a fatores como obesidade, diabetes tipo 2 e resistência à insulina.
Por isso, cuidar da obesidade também pode fazer parte da estratégia de proteção da saúde hepática.
O que é MASLD?
A MASLD acontece quando existe acúmulo de gordura no fígado associado a fatores de risco metabólicos.
Em muitos casos, a pessoa não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que faz com que a condição possa permanecer desconhecida por bastante tempo.
A doença pode apresentar diferentes estágios. Ter gordura no fígado não significa necessariamente ter inflamação ou fibrose, mas, em alguns pacientes, a condição pode evoluir.
A inflamação persistente pode provocar lesões nas células do fígado e, com o tempo, levar ao desenvolvimento de fibrose, que corresponde à formação de tecido cicatricial no órgão.
Qual é a relação entre obesidade e gordura no fígado?
A obesidade, especialmente quando acompanhada de resistência à insulina e alterações metabólicas, aumenta o risco de acúmulo de gordura no fígado.
Diabetes tipo 2, alterações de colesterol e triglicerídeos e excesso de gordura abdominal também estão entre os fatores associados à doença.
Por isso, a avaliação do fígado deve fazer parte do cuidado de pacientes que apresentam obesidade e alterações metabólicas.
Como saber se o fígado está comprometido?
A avaliação pode envolver diferentes recursos, dependendo da situação clínica de cada paciente.
Entre eles estão:
- Exames de sangue, incluindo enzimas hepáticas;
- Ultrassonografia;
- Exames de imagem mais específicos;
- Elastografia, que pode ajudar na avaliação da fibrose;
- Avaliação dos fatores metabólicos associados.
Os exames utilizados e a necessidade de investigação complementar devem ser definidos pelo médico de acordo com o histórico e as características de cada paciente.
A cirurgia bariátrica pode melhorar a saúde do fígado?
Sim. A cirurgia metabólica pode promover benefícios que vão além da perda de peso.
A redução do peso e as mudanças metabólicas provocadas pelo procedimento podem contribuir para a redução da gordura acumulada no fígado e da inflamação.
Em determinados pacientes, estudos também apontam melhora da fibrose hepática após a cirurgia.
Isso não significa que a cirurgia seja indicada para todas as pessoas com gordura no fígado. A indicação depende de critérios clínicos e da avaliação individual do paciente.
Obesidade, fígado e tratamento
Cuidar da obesidade também significa cuidar das doenças que podem estar associadas a ela.
Mudanças na alimentação, atividade física, medicamentos e cirurgia metabólica podem fazer parte do tratamento, dependendo do quadro de cada paciente.
No Julho Amarelo, além de falar sobre a prevenção das hepatites, vale lembrar que o fígado também merece atenção quando existem obesidade e alterações metabólicas.
Uma avaliação adequada permite identificar alterações precocemente e definir o melhor caminho para cuidar da saúde como um todo.
O tratamento começa entendendo o paciente e todos os fatores que influenciam sua saúde.


